Um tesouro por 400 dólares.


Por Jananda Lima em 7 de fevereiro de 2011 às 9:00 pm.

Essa notícia já tem certo tempo, mas achei tão interessante que vale a pena ser comentada aqui no Blog 288.

Navegando pela internet, encontrei a história de um corretor imobiliário e uma babá que tiveram seus caminhos cruzados nos proporcionando um olhar inédito das ruas de Chicago e outras cidades americanas, em meados do século passado.

O corretor em questão é John Maloof, que participava de um leilão em busca de fotografias da cidade para incluir em um livro que estava escrevendo sobre sua vizinhança.

Por 400 dólares, conseguiu comprar uma caixa com algumas fotos e muitos filmes não revelados, que a princípio achou que o ajudaria a ilustrar seu livro.

Por não ter experiência e conhecimento suficiente sobre fotografia, e sem saber o valor real das mesmas, o corretor decidiu publicar algumas na internet e perguntar a opinião do público. No dia seguinte havia 2 mil e-mails do mundo inteiro em sua caixa de mensagens com propostas para livros, exposições e documentários sobre a artista.

Nesse momento ele se deu conta de que as fotos serviriam para muito mais que apenas ilustrar seu livro; ele percebeu como aquilo era valioso e a importância de expor esse tesouro.

Vivian MaierA partir daí, John Maloof começou a pesquisar melhor sobre a autora das imagens e descobriu que se tratava de uma babá chamada Vivian Maier, que nas horas vagas gostava de sair pelas ruas de Chicago com uma câmera nas mãos registrando o que observava.

Ela havia falecido, sem nunca ter mostrado seu trabalho a ninguém, alguns dias antes dele descobrir que era ela a autora das fotos.

Nascida em 1926 e falecida em 2006, sua morte e sua anonimidade teriam nos privado de conhecer uma artista extraordinária; porém, a partir da iniciativa de uma pessoa que percebeu o valor cultural de seu notável trabalho, pudemos tomar conhecimento de uma das mais talentosas fotógrafas americanas.

A grande lição que devemos tirar dessa história é que às vezes chega em nossas mãos algo muito importante; pode ser uma ideia, um produto ou um achado, que independente de fazer parte do nosso universo naquele momento pode valer muito a pena investir.

Em janeiro de 2011 ele inaugurou a primeira exposição no Chicago Cultural Center e está em contato com instituições como o MoMa e o Tate Modern.

Veja mais fotos em www.vivianmaier.com.


7 comentários Palavras-chave: , , ,

Comentários


    Comentado por Neto

    08 de fevereiro de 2011 as 11:25

    Boa história, tudo é uma questão de observação ! Beijos.

    Comentado por alice wendt

    09 de fevereiro de 2011 as 12:27

    Nao conhecia essa história, inspiradora, heim? beijooo

    Comentado por Juliana Tomaz

    09 de fevereiro de 2011 as 02:16

    Essa história nos ensina muitas coisas. Fiquei muito comovida quando vi os autorretratos da artista, pois nesse mundo de contemplação ao corpo e ao dinheiro, às vezes esquecemos que a verdadeira beleza está a nossa volta e no olhar de pessoas sensíveis como Vivian Maier.

    Comentado por Guy Leal

    10 de fevereiro de 2011 as 08:03

    O valor desse trabalho me chamou atenção não apenas pela qualidade das fotos da Vivian Maier, mas também pelo esforço do John Maloof para torná-las pública. Acho um ótimo exemplo de como a combinação de esforços entre diferentes profissionais pode gerar negócios realmente criativos.

    Comentado por Guilherme Lima

    10 de fevereiro de 2011 as 05:37

    Oi, Jananda! Td bom? :) Muito maneira a estoria! Mas se liga nessa: http://articles.cnn.com/2010-07-27/entertainment/ansel.adams.discovery_1_rick-norsigian-david-w-streets-garage-sale?_s=PM:SHOWBIZ Sortudos das fotos perdidas, hein???? Bjao!

    Comentado por Jananda

    11 de fevereiro de 2011 as 09:14

    Que fotógrafo fantástico é o Ansel Adams! Obrigada, Guilherme.

    Comentado por Chico Cavalcante

    13 de julho de 2011 as 11:48

    Às vezes fazemos coisas que não achamos interessante, ou ainda temos vergonha de mostrá-las publicamente e por isso deixamos muito material de qualidade no fundo de alguma gaveta. Como idéias, que achamos esdrúxulas, mas que serve até para complementar a idéia de outra pessoa e assim resolver um grande problema. Foi o que aconteceu com a Vivian Maier, que provavelmente achou que suas fotos eram comuns e com isso não deu a devida atenção que as mesmas mereciam. Grande matéria esse. Parabéns para os responsáveis do Blog 288.

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