Financiamentos coletivos: uma nova interação entre consumidores, investidores e empreendedores.


Por Jananda Lima em 13 de junho de 2011 às 8:30 am.

O maior benefício que a internet trouxe para a humanidade foi a inovação na comunicação, mudando a dinâmica dos relacionamentos entre pessoas, empresas, e promovendo discussões, parcerias e investimentos coletivos; sua forma não linear permitiu a existência de uma maneira mais ágil e espontânea de comunicação, abolindo as antigas “receitas de bolo”.

Com isso, a força da coletividade veio à tona e produtos e serviços independentes passaram a competir com produtos desenvolvidos por grandes corporações.

Hoje em dia não é mais imprescindível estar associado a alguma estrutura corporativa para viabilizar projetos. Um exemplo é o comportamento atual do mercado editorial, no qual o autor não precisa necessariamente de uma editora para lançar seu livro. Outro exemplo que posso citar é em relação à música, que por meio de divulgação pela internet, bandas como Arctic Monkeys e Copacabana Club tiveram canções transformadas em hits antes mesmo de lançarem seu primeiro álbum.

O público passou a ter contato com o produto para provar, aprovar ou até mesmo participar do processo de criação, durante o seu desenvolvimento.

Nesse contexto, o que tem chamado muita atenção é um novo mecanismo conhecido como financiamento coletivo, o qual viabiliza diversos projetos e iniciativas.

O mecanismo funciona de uma maneira relativamente simples. Os empreendedores apresentam seus projetos para que pessoas interessadas possam ajudar a viabilizá-los por meio de diferentes fontes de financiamento, eliminando os intermediários nesse processo.

Para isso, os empreendedores definem o valor necessário para colocar suas ações em prática e o prazo para consegui-lo. Esse valor é dividido em cotas viáveis para as pessoas interessadas em investir no projeto. O retorno depende do valor investido e do tipo de produto a ser desenvolvido, mas ele é sempre oferecido.

Em funcionamento desde abril de 2009, o site americano Kickstarter é pioneiro em financiamento coletivo. O empreendimento é talvez um dos mais conhecidos do mundo e tem como foco projetos relacionados ao universo criativo, que segundo seus fundadores, abrangem desde artes plásticas à gastronomia.

Aqui no Brasil essa prática ainda é bem recente. O mais próximo que temos do americano Kickstarter é o site “Multidão”, como pode ser visto no vídeo feito para seu lançamento.

 

 

Dentre os sites brasileiros de financiamento coletivo têm mais destaque aqueles que viabilizam shows de bandas. O “Mob Social”, que atua em todo o país, e o carioca “Queremos” são alguns deles. O último funciona desde setembro de 2010, e segundo o próprio site, já conseguiu viabilizar seis shows até o momento. Seu diferencial é o modo como as pessoas investem no projeto o qual querem apoiar. Os ingressos são as próprias cotas de investimento e caso o projeto seja lucrativo, o valor pago é devolvido a quem investiu.

O baixo custo para o investidor individual e a internet possibilitam sua multiplicação e também o acesso ainda maior de público interessado nos produtos desenvolvidos por essas iniciativas, sejam elas sociais, culturais ou até educacionais.

Mobilizar centenas e até milhares de pessoas com o objetivo de viabilizar projetos interessantes e inovadores é, além de inspirador, uma prova de que as novas tecnologias não são o fim, mas uma nova maneira de otimizar a integração de ideias e o relacionamento humano. Isso nos faz perceber que o que antes poderia ser visto como um sonho utópico é possível e que a partir do esforço coletivo podemos fazer mudanças ainda mais significativas na sociedade.


0 comentários Palavras-chave: , , , , , , , , , , , ,

Deixe aqui seu comentário